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A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

De 21 a 30 de setembro de 1949, realizou-se a I Sessão Plenária da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e dela participaram representantes dos diversos partidos, grupos e círculos sociais e democratas sem filiação partidária. Nessa ocasião foi elaborado o Programa Comum, que desempenhou a função da Constituição Provisória, e se elegeu o Conselho do Governo Popular Central da República Popular da China, com Mao Zedong como Presidente e Zhou Enlai como Primeiro Ministro do Conselho Administrativo do Governo e Ministro das Relações Exteriores. Em 1 de outubro de 1949, se reuniram 300 mil habitantes de Beijing na Praça Tian’anmen para a proclamação da república. Mao Zedong proclamou solenemente de cima da tribuna presidencial de Tian’anmen a República Popular da China.

Os primeiros anos da República Popular constituíram etapa de restabelecimento da economia nacional. Ao mesmo tempo que se desenvolvia a produção, a China empreendeu grandes esforços para o estabelecimento gradual da propriedade pública dos meios de produção. De 1953 a 1956, efetuou-se a transformação socialista, anteciparam-se os trabalhos do I Plano Qüinqüenal para o Desenvolvimento da Economia Nacional (1953-1957), construiu-se um grupo de indústrias de base não existentes no passado e imprescindíveis para a industrialização estatal, incluindo a produção de aviões e automóveis, de máquinas pesadas e de precisão, de equipamento de geração de eletricidade, da siderurgia e das instalações para minas, como também de aço de alta qualidade, a fundição de metais não ferrosos, etc.

Na etapa de 1957 a 1966, antes da “revolução cultural”, realizou-se a construção socialista em grande escala. Comparando-se 1966 com 1956, o ativo fixo industrial do país, aos preços originais, aumentou quatro vezes e a renda nacional cresceu 58% a preços comparáveis. Aumentou muitas vezes o volume dos principais produtos industriais e foram estabelecidas novas séries de ramos da indústria. A infra-estrutura agrícola e sua transformação tecnológica se realizaram em grande escala. O número de tratores e fertilizantes químicos aumentou mais de sete vezes. Foi antecipada a realização do “Programa perspectiva de desenvolvimento da ciência e tecnologia de 1956 a 1967″ e se desenvolveram rapidamente muitos setores científicos e tecnológicos recém criados. Nestes dez anos, o Partido Comunista e o Governo tiveram grandes falhas nos princípios de orientação, colocando em graves dificuldades a economia nacional em certos períodos.

A “revolução cultural”, que se realizou de maio de 1966 a outubro de 1976, foi iniciada e dirigida por Mao Zedong, Presidente do Comitê Central do Partido Comunista da China. As camarilhas contra-revolucionárias de Lin Biao e Jiang Qing se aproveitaram dos erros cometidos por Mao Zedong nos fins da sua vida e às escondidas realizaram grande quantidade de atividades prejudiciais ao Estado e ao povo, levando-os a sofrer os mais graves golpes e perdas suportados desde 1949. Apesar de que Mao Zedong tivesse cometido graves erros durante a “revolução cultural”, analisando-se sua vida em conjunto, são muito maiores os seus feitos e méritos do que suas falhas.

Em outubro de 1976, com apoio das grandes massas populares, o Partido Comunista desbaratou a camarilha contra-revolucionária de Jiang Qing e a China entrou em nova etapa de desenvolvimento de sua história.

Deng Xiaoping foi reconduzido a todos os cargos dentro e fora do Partido Comunista dos quais havia sido destituído durante a “revolução cultural”. Com a convocação da III Sessão Plenária do XI Comitê Central do Partido Comunista da China, em fins de 1978, realizou-se uma mudança de longo alcance nunca vista desde a fundação da Nova China. Em 1979, o país começou a aplicar a política de reforma e abertura formulada por Deng Xiaoping, a corrigir em todos os setores e conscientemente os erros de tendência esquerdista cometidos pela “revolução cultural” e nas épocas anteriores, a transferir o centro básico do trabalho para a modernização, a reajustar com energia as proporções da economia nacional, a reformar as estruturas da economia e da política, podendo assim definir gradualmente um caminho para a modernização socialista com peculiaridade chinesa. A partir de 1979, com a reforma e a abertura, a fisionomia do país apresentou profundas mudanças. Estes 20 anos foi o melhor período desde a fundação da República Popular da China e também o de mais benefícios conseguidos pelo povo.

HISTORIA MODERNA DA CHINA

A Guerra do Ópio, em 1840, constituiu um ponto de mudança para a história chinesa. Como a corte Qing era corrupta e incapaz, buscou algumas vezes a reconciliação com os agressores estrangeiros e terminou firmando com o Governo inglês o “Tratado de Nanjing”, o qual humilhou a nação e fez perder sua soberania. Desde esse momento, a China caminhou na direção de uma sociedade semi-colonial e semi-feudal.

Depois da Guerra do Ópio, a Inglaterra, os Estados Unidos, a França, a Rússia, o Japão e outros países obrigaram o governo Qing a firmar tratados injustos, se apoderaram pela força de “concessões” e delimitaram “esferas de influência”, realizando uma frenética repartição da China entre si. O povo chinês, para se opor à opressão feudal e à agressão externa, desencadeou lutas heróicas nas quais se revelaram numerosos heróis nacionais. Em 1851, Hong Xiuquan dirigiu a Revolução do Reino Celestial Taiping, o maior movimento revolucionário camponês na história da China. Em 1911, Sun Yatsen dirigiu uma revolução democrática burguesa que derrotou a dominação da dinastia Qing. Com isto, se acabou a monarquia, que havia durado mais de dois mil anos e se estabeleceu o Governo Provisório da República da China. A Revolução de 1911 foi um acontecimento de grande significado na história moderna do país. Entretanto, devido à conciliação e debilidade da burguesia, os resultados desta vitória foram aproveitados por Yuan Shikai, chefe dos caudilhos militares do Norte. O povo chinês continuava vivendo com grandes sofrimentos

HISTORIA DA CHINA ANTIGA

A China é um dos países de mais antiga civilização e sua história possui fontes escritas de quase 4 mil anos.

O yuanmounensis, fóssil de macaco descoberto em Yuanmou, Província de Yunnan, de 1.700.000 anos, é o homínido primitivo mais conhecido encontrado na China. O homem de Pequim (Homo Pekinensis), que vivia na região de Zhoukoudian, em Beijing, há 400 e 500 mil anos, era capaz de caminhar ereto, fabricar e usar instrumentos simples, sabia empregar o fogo e possuía as características básicas do homem. Durante o longo período da sociedade primitiva, até o século XXI a.n.e (antes da nossa era), apareceu a primeira dinastia da história da China, a Xia, com a qual começou o período da sociedade escravista.

Transcorreram as dinastias Shang (séc. XVI-XI a.n.e. aproximadamente) e Zhou do Oeste (séc. XI-770 a.n.e. aproximadamente) quando se desenvolveu a escravidão. Depois vieram o Período de Primavera e Outono e o Período dos Reinos Combatentes (770-221a.n.e.). Estes dois períodos são considerados como etapas de transição da sociedade escravista para a feudal.

A China é um dos países de mais antigo desenvolvimento econômico. Desde há 5 ou 6 mil anos, os habitantes da bacia do Rio Huanghe (Rio Amarelo) tinham a agricultura como ocupação principal e criavam gado. Durante a dinastia Shang, há mais de 3 mil anos, se conhecia a técnica de fundir o bronze, usavam instrumentos de ferro e produziam utensílios de cerâmica branca e esmaltada. A produção e tecelagem de seda também estavam bastante desenvolvidas e se inventou a mais antiga técnica de tecer seda com motivos em alto-relevo. No período de Primavera e Outono (770-446 a.n.e.), surgiu a técnica de produção de aço. Durante o período dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.e.), Li Bing e seu filho dirigiram a construção da obra hidráulica de Dujiangyan, nos arredores da atual cidade de Chengdu, Província de Sichuan, ordenando racionalmente as atividades de irrigação, desvio de inundações e remoção de areia. Esta obra pode ser considerada como um grande êxito da ciência e da tecnologia hidráulica da antigüidade e atualmente continua desenvolvendo atividade importante.

Durante o período de Primavera e Outono e o dos Reinos Combatentes, houve grande prosperidade acadêmica sem precedentes no setor ideológico. As personalidades mais representativas manifestavam livremente suas doutrinas e publicavam obras de discussão política e análise da sociedade. Deste modo, surgiu a situação na qual “concorriam cem escolas de pensamento”. Lao Zi, Confúcio, Mo Zi e Sun Wu foram representantes desse período.

No ano 221 a.n.e., Qin Shi Huang pôs fim às lutas dos dignitários que governavam no período anterior dos Reinos Combatentes e fundou a dinastia Qin. Foi este o primeiro Estado feudal pluriétnico unificado e com poder centralizado. Qin Shi Huang unificou as letras, a unidade de medida e a moeda, estabeleceu o sistema de prefeituras e distritos, construiu a famosa Grande Muralha e também o palácio imperial, a tumba e a residência temporária para si próprio, em Xianyang e Lishan. As construções sobre o solo foram depois destruídas pela guerra, porém os objetos do subsolo ficaram guardados para o futuro. Os “guerreiros e cavalos de terracota”, importante descoberta arqueológica do túmulo do imperador Qin Shi Huang, são conhecidos como a “oitava maravilha do mundo”; o conjunto grandioso e imponente muito impressiona os turistas. No final da dinastia Qin, Liu Bang, de origem humilde e Xiang Yu, general aristocrático, acabaram juntos o domínio de Qin e depois de alguns anos Liu Bang venceu a Xiang e criou a forte dinastia Han, no ano 206 a.n.e..

Durante a dinastia Han, a agricultura, o artesanato e o comércio tiveram grande desenvolvimento.

Durante o imperador Wudi, a dinastia Han passou pelo período mais próspero e poderoso. Derrotou os hunos e mandou Zhang Qian ao Oeste, abrindo um caminho que, partindo de Chang’an (atual Xi’an, Província de Shaanxi) alcançava a costa oriental do Mediterrâneo, passando pela Província de Xinjiang e a Ásia Central, a chamada “Rota da Seda”, que possibilitava o transporte contínuo das belas sedas para o Ocidente. No ano 33 a.n.e., a princesa Wang Zhaojun se casou com Huhanye, o chefe dos hunos e assim o país pluriétnico se unificou cada vez mais. A dinastia Han durou 426 anos e no ano 220 começou a época dos Três Reinos (220-265) ou seja, Wei, Shu e Wu.

Durante o período dos Três Reinos, os políticos Cao Cao, Zhuge Liang e Sun Quan foram personagens famosas. Cao Cao, fundador do Reino de Wei, empregou a política de aproveitar amplamente os talentos, esconder tropas e abrir terras férteis para defender as zonas de fronteira. Zhuge Liang foi Primeiro Ministro do Reino de Shu. Sua nobre qualidade de não medir esforços para cumprir com seu dever passou a seus sucessores como modelo de sabedoria da antigüidade chinesa.

O fundador do Reino de Wu, Sun Quan, derrotou Cao Cao em Chibi junto com Liu Bei. Logo derrotou Liu Bei em Yiling, mandou funcionários para a agricultura e impôs uma política de cultivo da terra, impulsionando a exploração agrícola no Sul do Changjiang (Rio Yangtzé. As façanhas destas três personagens estão detalhadas no romance Crônica dos Três Reinos.

Depois deste período, da dinastia Jin (265-420), das dinastias do Sul e do Norte (420-589) e da dinastia Sui (581-618), Li Yuan estabeleceu em 6l8 a dinastia Tang (618-907). Seu filho Li Shimin, o Imperador Taizong, foi um dos imperadores que tiveram mais êxito da história chinesa. Ele tomou uma série de medidas conhecidas como “Política de Zhenguan”, impulsionando a prosperidade na época feudal. Na época dos Tang se desenvolveu muito a agricultura, o artesanato e o comércio. A tecelagem, a tinturaria, a produção de cerâmica, a siderurgia e a construção naval apresentaram novos progressos técnicos. As comunicações aquáticas e terrestres tiveram grande desenvolvimento e se estabeleceram amplos contatos econômicos e culturais com o Japão, a Coréia, a Índia, a Pérsia e os países árabes. Depois da dinastia Tang veio o período das Cinco Dinastias e Dez Estados (907 a 960). Em 960 o General Zhao Kuangyin, do Reino de Zhou Posterior, deu um golpe de Estado e subiu ao trono, fundando a dinastia Song (960-1279). Em 1206, Gengis Khan unificou as tribos mongóis e estabeleceu o kanato mongol. Seu neto Kublai entrou no Sul, fundou a dinastia Yuan (1271-1368) e elegeu Dadu, atual Beijing (Pequim), como sua capital. Durante as dinastias Song e Yuan, a indústria e o comércio interno e externo também se desenvolveram. Muitos comerciantes e viajantes vieram à China e o veneziano Marco Polo realizou extensa viagem pelo país. No relato de sua viagem, ele descreveu de maneira viva e detalhada a prosperidade e o poder da China, bem como seu florescimento industrial e comercial. A fabricação de papel, a imprensa, a bússola e a pólvora, durante as dinastias Song e Yuan, tiveram novos progressos e foram transmitidos a outras regiões como contribuições importantes para a civilização universal.

Em 1368, Zhu Yuanzhang iniciou em Nanjing a dinastia Ming (1368 a 1644). Após a morte, seu filho Zhu Di subiu ao trono e começou a construir em Beijing, em grande escala, palácios e templos. Em 1421 transferiu a capital para Beijing. Durante a dinastia Ming, a produção agrícola e o artesanato conseguiram notável desenvolvimento e no final dos Ming apareceram sinais do capitalismo. Ao mesmo tempo, os contatos amistosos com outros países asiáticos e africanos tornaram-se cada vez mais freqüentes.

No final da dinastia Ming, se fortaleceu o poder da etnia Manchu do Nordeste da China, que, sob a direção de seu chefe Nuerhachi, empreendeu expedições ao Sul e depois de três gerações, em 1644, foi fundada a dinastia Qing (1644 a 1911). Kangxi e Qianlong foram os imperadores mais célebres desta dinastia, cujo reinado é chamado de “sociedade próspera de Kangxi-Qianlong”. Durante este período foi publicado o longo romance Sonho das mansões vermelhas, no qual Cao Xueqin descreveu o processo de mudança da prosperidade para a decadência de uma família nobre feudal.

CHINA – IMPÉRIO DO CENTRO

Os chineses vieram de uma região que fica no centro da Ásia. Eles não puderam ficar nessa região pois as áreas os expulsou de lá por volta do ano 3000 a .C. Eles fugiram em direção ao leste, atravessaram o rio da Mongólia, até chegarem às margens do rio Amarelo.

Começaram a descer o rio e chegaram à desembocadura, onde se fixaram.

A partir desse momento, começou a organização política dos chineses.

Os chineses acreditavam que o rei era o pai da grande família que eles formavam. Pensavam também que ele era o “Filho Do Céu”. O primeiro rei dos chineses se chamava Yao.

HISTÓRIA DO COMUNISMO NA CHINA

Diante do avanço japonês, o Kuomintang e o PCCh fazem nova aliança em 1936. Com a rendição do Japão, no fim da II Guerra Mundial, recomeçam os combates entre comunistas e nacionalistas. Em outubro de 1949, os comunistas proclamam a República Popular da China, com Mao Tsé-tung como dirigente supremo. Chiang Kai-shek foge para Taiwan (Formosa), onde instala a República da China. A China continental é reorganizada nos moldes comunistas, com coletivização das terras, nacionalização das empresas estrangeiras e controle estatal da economia. Em 1950, a China assina tratado de amizade com a União Soviética (URSS).

No mesmo ano ocupa e anexa o Tibet.

Após a morte do ditador soviético Josef Stálin, em 1953, Mao enfatiza sua autonomia em relação à URSS. Em 1956 lança a

Campanha das Cem Flores, para estimular críticas da população à burocracia partidária. Quando essas críticas ultrapassam limites considerados toleráveis, o regime reage com a Campanha Antidireitista. Milhares de intelectuais são perseguidos, presos e mortos.

Em seguida, Mao lança outra campanha: o Grande Salto para Frente (1958/1960), que pretendia transformar rapidamente a China em nação desenvolvida e igualitária. Os camponeses são obrigados a se juntar em gigantescas comunas agrícolas. Siderúrgicas improvisadas são instaladas por toda a parte. O “salto” leva à total desorganização econômica. Milhares de camponeses morrem de fome.

O FIM DO IMPÉRIO CHINES – RESUMO

Em 1908, o médico Sun Yat-sen funda o Partido Nacionalista (Kuomintang), em oposição à monarquia e à hegemonia estrangeira. Apoiado por militares, é proclamado presidente provisório em 1911, mas a república não consegue estabelecer-se em todo o país, que entra em longo período de guerra civil.

A morte de Sun Yat-sen, em 1925, provoca luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-shek, une-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) – fundado em 1921 – contra os senhores feudais do norte do país. A aliança dura até 1927, quando uma insurreição operária em Xangai é reprimida com violência pelo Kuomintang. Os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, são colocados na clandestinidade.

Debilitada, a China não resiste ao Japão, que, em 1931, invade a Manchúria. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil comunistas, liderados por Mao, desloca-se 9 mil quilômetros rumo ao norte. É a Grande Marcha (1934/1935), que dá prestígio e dimensão quase mítica aos comunistas.

DOMÍNIO OCIDENTAL

A partir do século XIX, a influência ocidental causa grande impacto sobre o Império Chinês. Em 1820, os britânicos obtêm exclusividade de comércio no porto de Cantão. Interesses comerciais opõem China e Reino Unido e levam-nos às duas Guerras do Ópio (1839/1842, 1856/1860). Vitoriosos, os britânicos garantem o monopólio do comércio da droga, a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e a posse de Hong Kong. Em 1844, os Estados Unidos (EUA) e a França conquistam privilégios comerciais. A Rússia ocupa, em 1858, territórios no norte. Em 1885, a China cede o Anã (Vietnã) à França e, dez anos depois, perde a península da Coréia e Taiwan (Formosa) para o Japão. A submissão da dinastia manchu à intervenção externa provoca, entre 1898 e 1900, a Guerra dos Boxers, revolta dos nacionalistas contra estrangeiros e missionários cristãos. A rebelião é sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas.

HISTÓRIA DO CRESCIMENTO DA CHINA

A trajetória chinesa no âmbito da política internacional iniciou-se a partir da Revolução de 1949 com a aliança de Pequim, comandada pelo Partido Comunista Chinês (PCC), com o bloco geopolítico centralizado por Moscou. As tensões que marcaram este relacionamento foram encobertas pela conjuntura mundial da guerra fria e a aplicação da Doutrina Truman na Ásia por Washington, pois conduziu a China a uma política de isolamento internacional e o seu afastamento da ONU, estreitando a relação Pequim-Moscou.

No período correspondente a década de 60, a China rompe relações com a União Soviética por desejar possuir um arsenal nuclear próprio e autônomo, tornando o país em 1964, com a explosão de sua primeira bomba atômica, uma potência continental asiática independente da URSS, ingressando no restrito clube nuclear mundial.

Afastada do bloco soviético, a China atravessou uma fase de muitos conflitos internos principalmente após 1966 com o início da Revolução Cultural, movimento de radicalização política e fechamento econômico diante do exterior, dirigido por Mao Tse Tung e por Lin Piao, líder do setor mais radical do PCC. Multidões de jovens e adeptos de Mao e de Lin Piao, formaram as Guardas Vermelhas que faziam campanhas de desmoralização aos dirigentes moderados do PCC, acusando-os de “direitistas”. Ainda nesta fase, a China envolvia-se em conflitos ligados à disputa sino-soviética pela expansão da influência da Ásia, mantendo conflitos armados na fronteira com a Índia em 1962 e com a URSS em 1969.

Em janeiro de 1970 a China começa a retomar as negociações com os EUA para o estabelecimento das relações diplomáticas, gerando no ano seguinte, sua admissão na ONU. O reestabelecimento formal de relações China-EUA ocorreu apenas em janeiro de 1979. Neste período de negociações a China viveu no plano da política interna o fim da Revolução Cultural e a abertura da economia para o Ocidente.

Com a morte de Lin Piao em 1971 após tentar um golpe contra Mao Tse Tung, a aliança entre o centro maoísta e os radicais de Lin Piao estava rompida. Em 1976 morrem Mao Tse Tung e Chou En Lai, os últimos representantes da velha guarda do PCC. O maoísta Hua Kuo Feng assume o posto de comando da China e começa a repressão contra os radicais aliando-se aos moderados. Esta aliança levou à reabilitação de Deng Xiao Ping, primeiro-ministro chinês antes da Revolução Cultural. Fortalecido no interior da elite dirigente do Partido, Deng coordenou uma campanha contra os radicais que logo começou a atingir o centro maoísta. Em junho de 1981, Kuo Feng deixa a presidência do PCC, marcando o fim da era maoísta na China e Deng Xiao Ping, sem dispor de cargo oficial, passa a controlar todas as rédeas do poder real, ampliando o comércio com os EUA e principalmente com o Japão. Deng inicia o programa das Quatro Modernizações (na Ciência e Tecnologia, Agricultura, Indústria e Defesa).

Em abril de 1989 China e URSS encerram três décadas de congelamento das relações diplomáticas com a visita do líder soviético Mikhail Gorbatchev a Pequim. Os elementos decisivos para esta reaproximação ensaiada desde 1985 foram a retirada soviética do Afeganistão e o início da retirada vietnamita do Camboja. O terceiro elemento referente à diminuição da concentração de tropas nas fronteiras entre os dois países, dependia de uma decisão política de ambos os governos.

A visita de Gorbatchev à China coincidia com o auge das manifestações estudantis iniciadas algumas semanas antes com a morte do líder reformista Hu Yaobang. Os chineses pediam reformas democráticas, o afastamento de Deng Xiao Ping e o reforço da ala mais liberalizante da cúpula cominista. Após a partida do líder soviético, prosseguiu a ocupação estudantil da Praça Tian An Men (Praça da Paz Celestial), no centro da capital chinesa. As manifestações prosseguiam também em outras metrópoles como Xangai e Cantão. No final de abril foi decretada a lei marcial e batalhões do Exército foram chamados para reprimir a rebelião, mas muitas divisões dos comandos militares recusavam a cumprir estas ordens. Com este impasse, em junho a hesitação dos comandos militares deu lugar a uma impressionante repressão, executada de maneira rápida e sanguinária. Blindados invadiram a Praça da Paz Celestial alvejando estudantes e populares. Centenas de milhares de soldados tomaram a capital e cadáveres foram incinerados na própria praça deixando um número de mortos que giram em torno de quatro mil manifestantes. Após as prisões, os manifestantes eram condenados a pena de morte a ser executada com tiros na nuca.

As idéias ocidentais de democracia não têm qualquer tradição na história milenar chinesa, mas as demonstrações estudantis e populares da primavera de 1989 mostram a uma realidade completamente nova para a China que começou com a abertura econômica lançada por Deng Xiao Ping há duas décadas. A aspiração à democracia, a reinvidicação de liberdades políticas e civis tornou-se um desejo popular generalizado que, uma vez introduzida na consciência das multidões urbanas chinesas, não poderão ser extirpadas por fuzilamentos ou execuções.

As manifestações estudantis como as da Primavera de Pequim estão apenas começando.

HISTÓRIA DO POVO CHINÊS

Mais de meio milhão de anos atrás, os primeiros chineses habitavam o planalto do norte da China, no fértil vale do rio Amarelo. O rio parece amarelo devido à argila espessa dessa cor, chamada loesse, que as águas levam do deserto de Gobi até o vale. Durante muitos séculos as enchentes freqüentes do rio deixaram grande quantidade de loesse no vale. Os ventos que sopram do deserto de Gobi trazem também a argila amarela, que se de se deposita na terra. Os primeiros chineses descobriram que o loesse era bom para a agricultura e resolveram se instalar na planície. O loesse é muito fértil quando molhado, mas sem chuva e sem as águas do rio, logo se transforma em pó. O clima do norte da China variava de ano para ano. Ás vezes chovia em excesso, o que provocava enchentes. Havia também temores de terra. Os primeiros chineses perceberam que suas colheitas e sua vida dependiam do capricho das estações, da quantidade de chuva e do nível do rio. Adquiriram a crença de que tinha de viver em harmonia com a natureza para sobreviver naquele ambiente.

Em 4000 a.C. já havia extensos povoados no vale do rio Amarelo. Os chineses plantavam e caçavam e guardavam alimento para o inverno. Fazia também utensílios de cerâmica para cozinhar e para armazenar a comida. Geralmente esses utensílios eram decorados com vários símbolos, que podem ter dado origem, mais tarde, à escrita chinesa. Precisavam proteger suas possessões contra ladrões e saqueadores. Por isso construíram um fosso em volta do povoado e os habitantes usavam armas para se defender dos atacantes. Gradualmente, os povoados transformara-se em pequenos Estados governados por chefes. O chefe mais poderoso tornou-se rei de uma grande parte do planalto da China. O poder costumava-se passar de pai para filho.

Com o crescimento da população, os chineses começaram a se expandi para o sul, instalando-se nos vale do rio Yangtse Kiang e do rio Oeste, onde o clima era mais ameno. Os povos que já viviam nessa área foram muito influenciados pelo modo de vida dos chineses. No ano 221 a.C. a china era um império unido sob a dinastia Chín (ver página 54). Depois da dinastia Chín, veio a dinastia Han, que governou de 206 a.C. a 220 d.C. Quatro séculos depois, a dinastia Táng reuniu a China e governou de 618 a 907d.C.