HISTÓRIA DO CRESCIMENTO DA CHINA

A trajetória chinesa no âmbito da política inter

nacional iniciou-se a partir da Revolução de 1949 com a aliança de Pequim, comandada pelo Partido Comunista Chinês (PCC), com o bloco geopolítico centralizado por Moscou. As tensões que marcaram este relacionamento foram encobertas pela conjuntura mundial da guerra fria e a aplicação da Doutrina Truman na Ásia por Washington, pois conduziu a China a uma política de isolamento internacional e o seu afastamento da ONU, estreitando a relação Pequim-Moscou.

No período correspondente a década de 60, a China rompe relações com a União Soviética por desejar possuir um arsenal nuclear próprio e autônomo, tornando o país em 1964, com a explosão de sua primeira bomba atômica, uma potência continental asiática independente da URSS, ingressando no restrito clube nuclear mundial.

Afastada do bloco soviético, a China atravessou uma fase de muitos conflitos internos principalmente após 1966 com o início da Revolução Cultural, movimento de radicalização política e fechamento econômico diante do exterior, dirigido por Mao Tse Tung e por Lin Piao, líder do setor mais radical do PCC. Multidões de jovens e adeptos de Mao e de Lin Piao, formaram as Guardas Vermelhas que faziam campanhas de desmoralização aos dirigentes moderados do PCC, acusando-os de “direitistas”. Ainda nesta fase, a China envolvia-se em conflitos ligados à disputa sino-soviética pela expansão da influência da Ásia, mantendo conflitos armados na fronteira com a Índia em 1962 e com a URSS em 1969.

Em janeiro de 1970 a China começa a retomar as negociações com os EUA para o estabelecimento das relações diplomáticas, gerando no ano seguinte, sua admissão na ONU. O reestabelecimento formal de relações China-EUA ocorreu apenas em janeiro de 1979. Neste período de negociações a China viveu no plano da política interna o fim da Revolução Cultural e a abertura da economia para o Ocidente.

Com a morte de Lin Piao em 1971 após tentar um golpe contra Mao Tse Tung, a aliança entre o centro maoísta e os radicais de Lin Piao estava rompida. Em 1976 morrem Mao Tse Tung e Chou En Lai, os últimos representantes da velha guarda do PCC. O maoísta Hua Kuo Feng assume o posto de comando da China e começa a repressão contra os radicais aliando-se aos moderados. Esta aliança levou à reabilitação de Deng Xiao Ping, primeiro-ministro chinês antes da Revolução Cultural. Fortalecido no interior da elite dirigente do Partido, Deng coordenou uma campanha contra os radicais que logo começou a atingir o centro maoísta. Em junho de 1981, Kuo Feng deixa a presidência do PCC, marcando o fim da era maoísta na China e Deng Xiao Ping, sem dispor de cargo oficial, passa a controlar todas as rédeas do poder real, ampliando o comércio com os EUA e principalmente com o Japão. Deng inicia o programa das Quatro Modernizações (na Ciência e Tecnologia, Agricultura, Indústria e Defesa).

Em abril de 1989 China e URSS encerram três décadas de congelamento das relações diplomáticas com a visita do líder soviético Mikhail Gorbatchev a Pequim. Os elementos decisivos para esta reaproximação ensaiada desde 1985 foram a retirada soviética do Afeganistão e o início da retirada vietnamita do Camboja. O terceiro elemento referente à diminuição da concentração de tropas nas fronteiras entre os dois países, dependia de uma decisão política de ambos os governos.

A visita de Gorbatchev à China coincidia com o auge das manifestações estudantis iniciadas algumas semanas antes com a morte do líder reformista Hu Yaobang. Os chineses pediam reformas democráticas, o afastamento de Deng Xiao Ping e o reforço da ala mais liberalizante da cúpula cominista. Após a partida do líder soviético, prosseguiu a ocupação estudantil da Praça Tian An Men (Praça da Paz Celestial), no centro da capital chinesa. As manifestações prosseguiam também em outras metrópoles como Xangai e Cantão. No final de abril foi decretada a lei marcial e batalhões do Exército foram chamados para reprimir a rebelião, mas muitas divisões dos comandos militares recusavam a cumprir estas ordens. Com este impasse, em junho a hesitação dos comandos militares deu lugar a uma impressionante repressão, executada de maneira rápida e sanguinária. Blindados invadiram a Praça da Paz Celestial alvejando estudantes e populares. Centenas de milhares de soldados tomaram a capital e cadáveres foram incinerados na própria praça deixando um número de mortos que giram em torno de quatro mil manifestantes. Após as prisões, os manifestantes eram condenados a pena de morte a ser executada com tiros na nuca.

As idéias ocidentais de democracia não têm qualquer tradição na história milenar chinesa, mas as demonstrações estudantis e populares da primavera de 1989 mostram a uma realidade completamente nova para a China que começou com a abertura econômica lançada por Deng Xiao Ping há duas décadas. A aspiração à democracia, a reinvidicação de liberdades políticas e civis tornou-se um desejo popular generalizado que, uma vez introduzida na consciência das multidões urbanas chinesas, não poderão ser extirpadas por fuzilamentos ou execuções.

As manifestações estudantis como as da Primavera de Pequim estão apenas começando.

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